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O Blog do Suinocultor

Nutrição

02/04/09 - 09:56 - Fonte: Uniquímica

O uso correto da energia na ração para suínos

          As exigências nutricionais dos suínos podem ser encontradas nos manuais das linhagens comerciais ou em várias literaturas internacionais (AEC, 1994; Feedsttufs, 1999; INRA, 1984; NRC, 1998) e nacionais (Rostagno et al., 1984; Rostagno, 2005).

          Vários fatores influenciam as exigências nutricionais dos suínos, tais como: raça, linhagem, sexo, genética, fase de desenvolvimento, temperatura ambiente, umidade do ar, condição sanitária do ambiente e do animal, consumo de ração, nível energético da ração, etc.

          A energia digestível (ED) e energia metabolizável (EM) expressas em Kcal/kg de ração são as principais formas utilizadas para expressar as necessidades de energia para suínos.Os níveis de energia das rações de suínos exercem papel importante no seu desempenho. O nível energético influencia diretamente o consumo de ração. Pois os suínos atendem primariamente suas exigências nutricionais de energia. Suínos consumindo ração com baixo conteúdo energético passam a consumir maiores quantidades, podendo assim estar ingerindo maiores quantidades de aminoácidos e outros nutrientes, acima de sua exigência, sem nenhum benefício para produção, e podendo ser prejudicial ao desempenho esperado com a dieta empregada. Da mesma forma, efeitos indesejáveis podem ocorrer quando suínos consomem pequenas quantidades de ração, devido ao alto conteúdo energético, limitando o consumo de outros nutrientes.

          Buscando eliminar estes inconvenientes, a correta formulação deve levar em consideração a relação entre o nível de energia da ração e dos demais nutrientes, principalmente dos aminoácidos digestíveis. A lisina é o principal aminoácido responsável pela síntese protéica, e de acordo com a fase de criação, recomenda-se uma relação deste com e a energia metabolizável da ração.

          Dietas com altos teores de energia normalmente são recomendadas para fêmeas em lactação e leitões nas fases pós-desmama e início de crescimento, para se obter bom desempenho.

          Por outro lado, pesquisas têm mostrado que elevar o nível de energia das dietas de matrizes na fase de gestação, não afeta o número de leitões vivos, podendo influenciar no peso ao nascimento. Nesta fase, normalmente as rações são de baixa energia com altos teores de fibra.

          Os suínos adultos possuem intestino grosso desenvolvido, onde ocorre fermentação anaeróbica, produzindo ácidos graxos voláteis (AGV´s), tipo acético, propiônico e butírico, que podem ser absorvidos e contribuir com parte das necessidades de energia de mantença. A contribuição pode variar de 5 a 28% das exigências de mantença dos animais. A utilização de rações com menor conteúdo energético para porcas em gestação resulta em menores custos de produção do leitão, sem afetar o número de leitões nascidos vivos, além de evitar que a fêmea ganhe peso excessivo, podendo afetar o parto.

          Na fase de lactação, é importante tomar maiores cuidados com os níveis de energia e lisina da ração. As necessidades de energia para mantença de porcas em lactação são semelhantes das que estão em gestação, no entanto, as exigências para produção de leite são muito elevadas, chegando a 80% das necessidades totais. As reservas adquiridas durante a gestação contribuem para produção de leite, principalmente em condições de estresse calórico, onde estas fêmeas não conseguem ingerir suficiente quantidade de energia. Porcas com peso inadequado ao parto, terão sua leitegada com peso aos 21 dias de idade, principalmente quando em ambiente com temperaturas elevadas.

          Nas fases de crescimento e terminação, a elevação do nível de energia da ração causa redução do consumo e melhoria da conversão alimentar, não tendo efeitos significativos sobre o ganho de peso, quando se observa a relação nutrientes/calorias das dietas. Nestas fases, o suíno consegue manter o nível de ingestão de energia, através da variação do nível de consumo da ração, desde que os níveis não sejam extremos. É importante a redução do custo por unidade de ganho, que pode variar em função do custo da energia da ração. No entanto, rações com altos teores de energia na fase de terminação, resultam em maior deposição de gordura da carcaça, o que, pode ser prejudicial para classificação da mesma (Bertechini et al., 1983).

          Os reprodutores devem receber ração com nível baixo de energia, para evitar acúmulo excessivo de peso, que prejudique os aspectos reprodutivos. Animais em serviço devem aumentar o consumo de energia, promovendo o aumento da quantidade diária.

          Os níveis de energia da ração devem respeitar as fases de desenvolvimento dos animais. Entretanto, deve-se atentar para relação nutriente e energia metabolizável.

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